terça-feira, 31 de agosto de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Aproveitamento integral de alimentos

Não, não é bolo de chocolate. Mas pode cobrir um - é um doce "tutti-fruti".
Deliciosa maneira de aproveitar os alimentos e economizar!

Rende 1 fôrma de bolo de 30 cm de diâmetro~
Ingredientes:
1 rapadura de 700g
1,5 lt de ralados ou bem batidos no liquidificador numa consistência pastosa:
cascas, talos, sucos, mousses, restos de frutas, hortaliças e - pasmem - aqueles bolos duros e pães velhos, sobremesas, qualquer alimento que não quiser mais, até feijão sem sal (o meu foi cascas de mamão, banana, maracujá, melancia, restos do suco de melancia, pedaços de mamão e até repolho).
3 cs erva-doce pisada no pilão ou cacau em pó (ou os dois, deve ser ótimo - escolhi a erva doce).

Leve ao fogo uma panela (melhor barro ou mesmo ferro) ou tacho de cobre (este deve ser limpo com vinagre e sal antes do uso para retirar aquele escuro que ele adquire, não é bom consumí-lo) que caiba a rapadura com 1 dedo de água ou suco. Ponha a rapadura, deixe ferver por 2 minutos e, dentro da panela mesmo, parta-a em 12 pedaços (o calor a amolece bastante). Neste ponto estará bem macia, então amasse os pedaços e junte as sobras, mexendo bem. Quando ferver, abaixe o fogo e mexa de vez enquando até começar a soltar da panela. Dá um doce pastoso.

P.S.: Se utilizar liquidificador, bata sempre com um pouquinho de água, quase cobrindo tudo, do contrário ele não funciona. Bata um pouco de cada vez para ficar mais fácil.

sábado, 28 de agosto de 2010

Sopa saborosa



























3 pratos de sopa~

Se este blog fosse de áudio, eu teria que esperar mais um pouco para publicar esta sopa =D

1 cebola picadinha
1/2 colher de sopa de missô (o único derivado da soja que me apetece e, junto com os outros fermentados desta, o único seguro para consumo - e, pode acreditar, AQUI é saboroso) - ele já tem bastante sal, como os caldos prontos que você -acha- que não tem bichinho no meio.
Legumes que sobraram do chucrute - talvez 1 1/2 xícara de legumes ou menos (ver post anterior), cortados bem finos ou previamente cozidos (juntamente com a abóbora é uma boa idéia). Para quem gosta, quiabo vai bem aqui.
1 berinjela picada grande
1/10 abóbora moranga cozida (cozinhe com a casca e descasque depois, para mais facilidade - pode cozinhar sem picar), ou sobras de purê de abóbora
6 pedaços de cogumelo seco fatiado ou 3 frescos (evite conservas industriais) (pique bem que rende)
2 colheres de chá de manjerona seca
2 colheres de chá de páprica (prefiro picante)
4 colheres bem cheias de sopa de fubá moinho d'água local

Cozinhe a abóbora com bastante água até estar bem macia, retire-a e descasque-a (se desejar). Dissolva o fubá, a páprica e a manjerona em um pouco de água à parte, até dissolver completamente. Quando ferver o caldo da abóbora, junte o dissolvido, mexendo bem até dar uma leve engrossada. Junte a abóbora, amassando-a na própria panela (pode ser com garfo). Mexa bem e procure a consistência de um creme homogêneo - se necessário, acrescente água. Após 5 minutos, junte a berinjela e o cogumelo, se este for seco. Se fresco, adicione com os outros legumes após 3 minutos, exceto a cebola. Quando estiver tudo cozido, dissolva o missô em pouca água e junte à sopa, com a cebola e, se desejar, ervas frecas como salsinha e alguma verdura macia, como couve. Misture bem e desligue a panela. Sirva-se antes que comam tudo =).

Chucrute

Repolho
Cenoura
Batatinhas
Ervas a gosto
Abóbora
O que mais estiver sobrando de legumes crus
Sal a gosto

Pique tudo bem fininho ou rale. Junte o sal e, num vidro limpo (de preferência fervido em água), destes de azeitona por exemplo, coloque aproximadamente 1 dedo de água e junte os legumes, espremendo o quanto puder com o cabo de uma colher de pau. Esprema mais e esprema mais um pouquinho, até caber o máximo possível, até 1 ou 2 dedos da borda do vidro. Cubra tudo comágua até quase na boca, e ela descerá lentamente. É importante que não haja ar, pois o chucrute fermenta na ausência de oxigênio. Deixe fermentar por 6 a 12 semanas e bom apetite!
Este prato traz inúmeros benefícios à saúde. Ao invés de pensar nele como podre, pense que é como um vinho de legumes. Creio que não tenha álcool, pois não bebo e não sinto álcool nele. É delicioso e tem textura de alimento cozido. Experimente também com taioba - ela perde o ardido tóxico. E seus talos ficam deliciosos!

Faça uma salada ou sopa com o que sobrar.

Canjiquinha no vapor

Coloque um pouquinho de água nela, até ela se grudar toda, e proceda como no cuscuz nordestino.

Algo como 30 a 40 minutos. Se gostar dela macia como arroz comum, deixe de molho na véspera. Se gostar dela al dente (firme), pule esta etapa.

Aproveite e coloque abóbora moranga em pedaços grandes e carás ou inhames inteiros para cozinhar embaixo.

No vapor, milho tem outro sabor. Incomparável.

domingo, 22 de agosto de 2010

Bolo de fubá com erva doce, macio e sem trigo

Uma coisa que me tirou o sono durante muito tempo. Como fazer bolo de fubá, daquele grosso de moinho de pedra, macio e sem trigo. E vegano. Me retorci até lembrar de nossa aliada culinária chamada linhaça em grão. É uma semente mucilaginosa, que dá babinha tipo clara de ovo. Substitutos também são o Psílio e a Chia, difíceis de ver por aqui. Quem sabe um dia...

Hoje é aniversário da minha mãe, e aproveitando a visita a ela, fiz (mais um) bolo. Havia feito metade desta receita antes, como experimento. Na verdade, gosto de fazer sempre receitas pequenas, mas bolo de aniversário tem que ser grandão. Até quase transbordar da forma, se usar fermento.

Aí vai a receita de hoje:

4 copos de fubá de moinho d'água (moinho de pedra - o fubá mais grosso e saboroso)

1 1/4 copos de castanha de caju, coco fresco (não de saquinho), amendoim torrado ou "leiteiro" de sua preferência. Preferencialmente algo oleoso, como os citados. Pode até ser suco de laranja, acrescente também uma pitada de casquinha de laranja ralada para aumentar o sabor.

4 colheres de sopa de linhaça (equivalente a 2 ovos, mas na verdade usei 3 colheres)

Sumo de 1/2 limão, se não for utilizar a laranja

750 ml de água

1 1/2 (ou 2, se preferir, experimente a massa) copo de rapadura ralada ou açúcar mascavo (é a mesma coisa, só que o mascavo é 3 vezes mais caro)

2 colheres de chá de bicarbonato de sódio (não, eu não uso aquele fermento caro cujo ingrediente ativo principal é o bicarbonato, apesar de ter outros agentes - e usei fermento porque o bolo não é pra mim, sabe como são as pessoas... mas se fizer sem também fica macio)

1 colher de sopa de semente de erva doce (pise-as um pouquinho no pilão antes de colocar na massa)

Não necessita de óleo, margarina e nenhum desses apetrechos, a não ser que o "leiteiro" não seja oleoso (leite de soja - por favor não use nessa receita - ou suco de laranja)

~

Ligue o forno a 280°C. Unte levemente a fôrma, incluindo paredes e enfarinhe com fubá, uniformemente.

Se tiver liquidificador, bata as castanhas, a água, a linhaça e o limão. Se não, pise a linhaça no pilão com umas 2 horas de antecedência, só até esmagá-las bem, triturando algumas, e coloque em 1 copo do total da água. Farinha de linhaça NÃO serve, não dá consitência de clara de ovo. Pise as castanhas no pilão até virar uma grossa farinha (tostar e esperar esfriar facilita o procedimento). Deixe de molho no restante da água, dando uma amassada nas castanhas umas 2 vezes durante estas horas. Não tem problema o leite não ficar grosso, vai tudo pra dentro do bolo mesmo. Se não puder ter antecedência não fica ruim também não. O leite vai talhar por causa do limão, e isto é bom porque amacia a massa, e não deixa sabor residual de limão (se desejá-lo, ponha uma pitada de raspas de casca de limão, nunca o suco, pois amarga).

Junte tudo e bata na mão, com garfo ou utensílio próprio até a massa estar homogênea. Deixe descansar uns 5 minutos para o fubá absorver a água e despeje na forma. Asse por 40 minutos ou até que, espetando um garfo no centro, este saia limpo. Talvez demore um pouco mais se for sem fermento. Bom apetite!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Feijão


Delícia. Não me alimento dele todos os dias (nem se deve), mas adoro. Amassadinho e com caldo grosso.

O tempero de hoje foi manjericão fresco(bastante), cebolinha fresca (mais ainda), cominho (pitada) e páprica (colher). Favorita.

Foto: cozinhapequena.com

domingo, 15 de agosto de 2010

Beiju temperado

Nham. Melhor que pizza.

Desculpe a ausência de foto, não deu tempo =D

Façam a massa do beiju normalmente , carregue de orégano, um pouquinho de tomilho, pique 4 metades de tomate seco (hidrate por apenas 1 minuto na água fervente) e rale um pouco de cebola. Misture bem a massa, termine normalmente e bom apetite!

Canjicada


Canjiquinha, mandioca, abóbora, pinhão, vagem, quiabo, nirá, manjericão e cebolinha. Bom demais.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cuscuz de frigideira (beiju grosso)

3 porções gordinhas~

A partir daqui, tirei esta idéia. Infelizmente, a câmera estava ausente, mas vou postar mesmo assim:

Misture bem:

2 xícaras de fubá
2/3 xícara de água

Deixe bem esfarelento, em ponto de paçoca, sem bolinhas grandes, como no cuscuz nordestino.

Ponha 1 xícara desta mistura numa frigideira de ovo antiaderente ou levemente untada (ou uma grande, se quiser fazer uma coletiva ou se tiver apetite do tamanho do meu - pra fazer 2 grandes utilize 1 1/2 copo de fubá e 1 copo de água), distribua bem e cubra com um pires que encaixe ligeiramente (não precisa entrar totalmente na panela - utilize um prato para frigideiras grandes). Leve ao fogo baixo até sentir cheiro de fubá torrado. Retire o pires, coloque um prato de ponta-cabeça sobre a panela e vire, segurando os dois juntos (assim não quebra). Macio e crocante!

Se quiser, prepare um recheio e faça algo no estilo pizza, ou faça um enroladinho...

sábado, 7 de agosto de 2010

Quiche-pizza de legumes

Ontem no almoço fiz um guisadinho e cuscuz. E sobrou guisadinho.
Amante de qualquer coisa que remeta à pizza e cia, lá fui eu. Inspirada pela receita daqui, fiz uma quiche vegana.
O guisado tinha: Inhame, abóbora, flor de couve-flor, talo de couve-flor, folha de couve-flor, jiló, pimenta calabresa e louro. Aliás, é um ótimo jeito de preparar jiló para quem não é fã. Cozinhe bem e o amargo simplesmente some (junto com algumas propriedades, mas ao menos algumas ficam).
Para a quiche, acrescentei quiabo e castanha de caju moída no pilão, junto com mais uma cebola e uma colher de linhaça [quiche é uma torta salgada comum coberta com uma mistura de creme de leite e ovo, aqui substituída por castanha e linhaça (efeito clara de ovo, se deixar de molho na água, mas coloquei direto no recheio, para engrossar mais), respectivamente]. O recheio deve estar cremoso - se precisar, amasse alguns legumes (foi o que fiz). A massa fiz assim:

2 xícaras de farinha integral (ficou muito pra fôrma que utilizei, da próxima vez faço 3/4 da receita)
1 xícara de água
2 colheres de sopa de óleo
1 pitadona de sal

Não quer glúten? Faça minha massa de chapati de milho:
1 xícara de hortaliça pastosa (batata, abóbora e cia)
2 xícaras de fubá moinho d'agua local (se não tiver costume de massas de fubá, use o mimoso ou, melhor ainda, de canjica)
1 pitadona de sal

Amassei até misturar bem, estiquei com o rolo de macarrão (enfarinhe a superfície na qual quer esticar), abri numa fôrma de 25 cm de diâmetro, cobrindo os lados da fôrma untada. Assei por 10 minutos a massa pura e, com o recheio, voltei ao forno por 20 minutos.

Massa de milho - amasse o fubá com a hortaliça pastosa, misturando bem. Se precisar, acrescente água. Unte a fôrma, enfarinhe a base da massa, achate-a o máximo possível sem quebrar, homogêneamente, na superfície, e depois passe à fôrma untada e ajuste, apertando. Deve assar por mais tempo (fique sabendo pelo cheiro). Esta massa é mais saborosa.

Ótima para aproveitar sobras e, se dobrar a ponta diferente, vira pizza (pra dentro).

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Frutas do Brasil: o sabor brasileiro - Superinteressante

(em Negrito, testadas e aprovadas)

Durante muito tempo, a polpa branca e doce do bacuri foi um sabor proibido para os índios caxinauás, da Amazônia. Na aldeia, um ser maligno, na forma de cabeça sem corpo, impedia que os nativos provassem o fruto. Um dia, no entanto, os índios se rebelaram contra a ordem. "Se ele gosta tanto assim, a fruta deve ser muito boa", pensaram. Resolveram então quebrar o tabu e se banquetear com o quitute, enquanto a figura do mal, aborrecida, subia ao céu para nunca mais voltar: lá, se transformou na Lua. A ousadia dos caxinauás valeu a pena: ganharam a luz do luar para atenuar a escuridão noturna e descobriram o prazer do sabor de mais um fruto. Um prazer que ficou escondido de boa parte dos brasileiros nos últimos 500 anos. Como o bacuri, dezenas de frutas se escondem nos meandros de nossas matas e florestas. Algumas se tornaram conhecidas e ganharam o mundo, como a goiaba, o guaraná, o maracujá, o abacaxi, o cacau ou o caju. Outras, nem tanto. Buriti, caraguatá, ingá, pequi são apenas alguns dos nomes de docuras genuinamente brasileiras. que alimentavam lendas e estômagos indígenas desde antes da chegada dos portugueses e permaneceram escondidas pelo manto do regionalismo. Hoje, boa parte delas já está catalogada pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e convive lado a lado com frutas estrangeiras que, trazidas em sua maioria pelos invasores lusitanos, acabaram se tornando símbolos nacionais. O coco-da-baía, por exemplo, só chegou ao Brasil porque algum navegante decidiu tirá-lo de seu ambiente natural, nas ilhas do Oceano Índico. O mesmo ocorreu com a laranja, o limão e todas as cítricas, que trazem no passaporte o visto de naturalidade asiática, ou a graviola, a acerola e o abacate, originárias da América Central. E as surpresas não param aí: os fãs de Carmen Miranda podem ficar abismados, mas a banana, que enfeitava seus espalhafatosos chapéus e virou marca registrada da tropicalidade e de muitos regimes políticos, não nasceu no Brasil. Os especialistas acreditam que sua origem seja a Ásia, embora ninguém possa garantir com precisão. O certo é que ela não estava na paisagem quando Cabral aportou por aqui.

Ofuscadas pelo sucesso comercial das frutas trazidas de outros continentes, as brasileiras mantiveram-se sempre em segundo plano. Só não desapareceram por causa de sua íntima ligação com aquilo que, até algum tempo atrás, era uma espécie de terra de ninguém: florestas tropicais, cerrados e até a caatinga. "É o chamado endemismo. As frutas que se perpetuaram espontaneamente em um determinado ecossistema", explica a pesquisadora Elizabete Lopes,. do Instituto de Botânica de São Paulo, que há sete anos se dedica a pesquisar nossas frutas. Apesar de não serem cultivadas, elas insistem em se reproduzir no Norte, o paraíso das delícias exóticas: a Amazônia é dona do maior índice de endemismo do pais e 68% de sua flora só é encontrada ali.

O curioso desse abandono às frutas nativas é que elas não devem nada em sabor para estrangeiras como a banana a maçã ou a laranja. Ainda na fase de colonização, os bandeirantes paulistas já sabiam disso. Paravam a tropa assim que topavam com um bacuparizeiro, fácil de achar nas margens do Rio Tietê. Em 1600, o jesuíta e cronista português Simão de Vasconcelos esnobou a corte da metrópole ao escrever: "O bacupari não perde para nenhuma fruta que exista em Lisboa". Mais recentemente, já no século XX, o escritor Guimarães Rosa — genial em observar a verdadeira linguagem popular brasileira — soube também descobrir uma delícia nacional a cabacinha-do-campo, de aparência muito semelhante à da pêra. Nos relatos de suas andanças pelas veredas do sertão, ele se refere não só ao gosto, mas insinua outras vantagens da frutinha: "Tomei o refresco de pêra-do-campo (...) e Nhorinha recebeu meu carinho no cetim do pêlo".

Se a cabacinha-do-campo tem realmente algum poder afrodisíaco, não se sabe. Algumas de nossas frutas são pouco conhecidas pelos botânicos. Entre brasileiras e estrangeiras, existem cerca de 200 identificadas pelo IBGE. "Mas é provável que esse número seja bem maior, pois nunca foi feito um levantamento abrangente das frutas silvestres". adverte a pesquisadora Sílvia Corrêa Chiea, do Instituto de Botânica de São Paulo. Das catalogadas, algumas ainda não foram analisadas em laboratório para se descobrirem seus nutrientes. Quando isso é feito, boas surpresas saem dos tubos de ensaio. O pequi, semelhante a uma pequena laranja e muito comum no interior de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, é o campeão em vitamina A entre todas as frutas do mundo.

Embora a maior parte desse tesouro que impressiona os cientistas e encanta o paladar esteja preservada nos campos e matas naturais, seu futuro não está assegurado. A expansão da fronteira agrícola na Amazônia e no Centro Oeste, assim como a destruição da Mata Atlântica no Sudeste, são uma ameaça constante para a existência de muitas espécies. Algumas já sucumbiram à presença humana, como a jabuticaba-branca. em outros tempos abundante na Mata Atlântica, principalmente junto ao litoral fluminense. Ela seguiu o mesmo destino de seu habitat: a devastação reduziu a mata a menos de 5% de sua área original e hoje pode-se contar nos dedos da mão o número de pés dessa fruta, antes tão comum na região.Esse tipo de troca da biodiversidade pelas monoculturas foi denunciado recentemente pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO). Segundo a entidade internacional, cerca de 40 000 espécies vegetais podem ser extintas no mundo nos próximos cinqüenta anos, devido à especialização do plantio. Só se planta aquilo que vende. Certamente foi isso que fez do maracujá, do caju e de outras brasileiras exceções no quadro do nosso exotismo: são todas daqui. mas, como caíram nas graças dos gulosos, tornaram-se vedetes.

Além de prejudicar a cadeia alimentar, o desaparecimento de frutas tão diferentes significa um desperdício. "Estaremos perdendo um grande potencial de alimentação" diz Dalmo Catauli, pesquisador da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa). Mais do que isso, também se perde uma chance de bons negócios. Ao contrário das laranjas brasileiras, que para competir no mercado internacional dependem sempre das geada e nevascas nos pomares americanos, frutas nativas como guaraná, babaçu, maracujá e pequi não têm concorrente em nenhum país. A primeira pessoa a perceber isso foi Maurício de Nassau, o holandês que governou Pernambuco durante sete anos no século XVII. Ao ver que o caju alimentava os índios, evitava que seus marinheiros contraíssem o escorbuto — doença causada pela carência de vitamina C — e, principalmente, alcançava bons preços na Europa, onde se transformava em saborosos doces, ele não teve dúvidas: baixou uma lei que multava em 100 florins quem abatesse um cajueiro.

Para saber mais:

O Brasil vai à mesa

(SUPER número 7, ano 5)

BACURI

Família: GUITIFERAE (mesma do bacupari)

Nome científico: Platonia insignis Mart

Origem: Pará, mas é encontrada no Maranhão, Goiás e Mato Grosso

Arvore: com até 35 m de altura e copa em forma de cone invertido

Fruto: com 250 g, é redondo. de polpa branca, doce e suco viscoso

Frutificação: dezembro a maio

Principais nutrientes: fósforo,. ferro e vitamina C

CARAGUATÁ

Família: BROMELIACEAE (mesma do abacaxi)

Nome científico: Bromélia antiacantha Bertol

Origem: Brasil, principalmente no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul

Árvore: herbácea, alcança 2 m de altura

Fruto: ovalado, pequeno, com polpa amarela e ácida

Frutificação janeiro a julho

JABUTICABA-BRANCA

Família: MYRTACEAE (mesma da goiaba)

Nome científico: Myrciaria aureana Mattos

Origem: Brasil, principalmente Mata Atlântica

Arvore: com até 3 m, tronco de casca amarelada e ramos cilíndricos

Fruto: com 2 cm de diâmetro, tem cor-verde-clara e de 1 a 4 sementes

Frutificação: janeiro

Principais nutrientes: cálcio e ferro (dados referentes à jabuticaba comum)

GOIABA

Família: MYRTACEAE (mesma da jabuticaba)

Nome científico: Psidium guajava L.

Origem: América tropical

Árvore: alcança até 10 m de altura, com caule tortuoso

Fruto: casca fina e papa macia, branca ou vermelha

Frutificação: abril a junho e novembro a fevereiro

Principais nutrientes: cálcio, fósforo e vitamina C

GUARANÁ

Família: SAPINDACEAE (mesma da pitomba)

Nome científico: Paulinia cupana H.B.K.

Origem: Região amazônica

Árvore: arbusto ou cipó lenhoso, de até 4 m de altura

Fruto: com até 2,5 cm de diâmetro, aproveita-se a semente torrada

Frutificação janeiro a fevereiro

CAJU

Família: ANACARDIACEAE (mesma da manga)

Nome científico: Anacardium occidentale L

Origem: América tropical

Árvore: com até 20 m de altura, galhos longos e tortuosos

Fruto: o fruto propriamente dito é a castanha, enquanto a parte macia e suculenta é, na verdade, o pedúnculo

Frutificação: julho a dezembro

Principais nutrientes: caju — cálcio, fósforo e vitamina C; castanha-de-cajú — fósforo, cálcio e ferro

MANDACARU

Família: CACTACEAE (mesma do cacto)

Nome cientifico: Cereus jamacaru DC

Origem: Nordeste do Brasil Árvore: cacto agigantado, com até 10 m de altura e espinhos amarelos

Fruto: com cerca de 8 cm, casca grossa e vermelha, a polpa é branca e suculenta, com muitas sementes pequenas

Frutificação: abril a maio

PINHÃO

Família: ARAUCARIACEAE (tem parentes no Chile e na Austrália)

Nome científico: Araucaria angustifolia (Bert.) O. Kuntze

Origem: Região Sul do BrasilÁrvore: com até 50 m de altura, ramificada só no alto do tronco

Fruto: pinhas que se desfazem, liberando suas sementes, os pinhões

Frutificação: abril a junhoPrincipais nutrientes: proteínas, cálcio e ferro

SAPUCAIA

Família: LECYTHIDACEAE (mesma da castanha-do-pará)

Nome científico: Lecythis pisonis Camb.Origem: natural da Amazônia, pode ser encontrada até o Rio de Janeiro

Árvore: de até 40 m de altura

Fruto: esférico, de 25 cm de diâmetro e até 9 kg de peso, suas paredes grossas têm cerca de 2 cm de espessura. As amêndoas são a parte comestível

Frutificação: agosto a outubro ILUSTRES ESTRANGEIRAS

Elas enchem as bancas de feira mas, ao contrário do que se pense, não estavam na paisagem quando Cabral chegou

NOME E ORIGEM

Abacate - México

Acerola - América Central

Banana - Provavelmente Ásia

Cajá - África

Carambola - Ásia

Coco-da-baía - Oceano Índico

Fruta-pão - Java e Sumatra

Graviola - América Central

Jaca - Índia

Jambo - Índia

Laranja - Ásia

Limão - Ásia

Manga - Ásia

Tamarindo - África

Tangerina - Ásia

PEQUI

Família: CARYOCARACEAE (mesma do pequiá)

Nome científico: Caryocar brasiliense Camb

Origem: Cerrado brasileiro, embora também freqüente em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul

Árvore: alcança até 10 m de altura

Fruto: arredondado, casca esverdeada, polpa pastosa e amarela, com sementes espinhosas e comestíveis

Frutificação: janeiro a abril

Principais nutrientes: é a fruta mais rica em vitamina A até hoje analisada

INGÁ

Família: LEGUMINOSAE (mesmo do feijão)

Nome científico: Inga cinnamomea Spruce ex Benth.

Origem: Região Amazônica, junto aos rios Árvore: de até 30 m de altura Fruto: vagem com até 30 cm de comprimento e polpa adocicada

Frutificação: março a abril

Principais nutrientes: cálcio e ferro

CABACINHA-DO-CAMPO

Família: MYRTACEAE (mesma da goiaba)

Nome científico: Eugenia klotzschiana Berg.

Origem: Brasil, principalmente no sertão de Minas Gerais

Árvore: na verdade, dá em pequenos arbustos, com até 1,5 m

Fruto: formato tipo baga, de polpa ácida e com poucas sementes

Frutificação: janeiro e fevereiro

PITOMBA

Família: SAPINDACEAE (mesma do guaraná)

Nome científico: Talísia esculenta Radlk.

Origem: Brasil, principalmente Pemambuco

Árvore: de até 15 m de altura

Fruto: com 3 cm de diâmetro, a casca é consistente e a polpa carnosa, branca, de sabor agridoce

Frutificação: janeiro e fevereiro Principais nutrientes: cálcio e vitaminas A e C

BURITI

Família: PALMAE (mesma do coco-da-baía)

Nome científico: Mouritia flexuosa L.

Origem: Região amazônica

Árvore: palmeira de até 25 m de altura

Fruto: ovalado, brilhante, com polpa esponjosa

Frutificação: janeiro a julhoPrincipais nutrientes: proteínas, cálcio, fósforo e ferro

BACUPARI

Família: GUTTIFERAE (mesma do abricó)

Nome científico: Rheedia gardneriana PI. & Tr.

Origem: Sudeste do Brasil, principalmente na beira de rios

Árvore: com até 6 m de altura e copa piramidal

Fruto: alaranjado, de polpa banca e adocicada

Frutificação: janeiro a março

BABAÇU

Família: PALMAE (mesma do coco-da-baía)

Nome científico: Orbignya speciosa Barb. Rodr.

Origem: Brasil, ocorrendo no Amazonas, Pará, Piauí, Maranhão, Ceará, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.

Árvore: palmeira de até 20 m de altura

Fruto: ovalado, casca amarela e verde, polpa oleosa

Frutificação: setembro a dezembro

Principais nutrientes: proteínas, fósforo, cálcio e vitamina B1 e B2

JUÁ

Família: RHAMNACEAE (única fruta identificada da família)

Nome científico: Zizyphus joazeiro Mart.

Origem: regiões áridas do Brasil, do Piauí ao norte de Minas Gerais

Árvore: com até 15 m de altura e copa ampla

Fruto: esférico, com a casca fina, carnoso e adocicado

Frutificação: janeiro e maioPrincipais nutrientes: sais minerais, vitamina C

MARACUJÁ

Família: PASSIFLORACEAE (família só de passifloras)

Nome científico: Passiflora edulis Sims.

Origem: provavelmente Brasil

Árvore: trepadeira

Fruto: esférico, com até 9 cm de diâmetro, a casca dura e a polpa aquosa

Frutificação: durante todo o ano, mas escasso de maio a agosto

Principais nutrientes: cálcio, ferro e vitamina C

CRUÁ

Família: CUCURBITACEAE (mesma da melancia)

Nome científico: Sicana odorífera L.

Origem: América do Sul tropical

Árvore: trepadeira, semelhante ao maracujá

Fruto: formato alongado, de até 60 cm de comprimento, com polpa carnosa e amarelada

Frutificação: o ano todo

~~~~

Fonte: Site da Superinteressante

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pipoca sem óleo na panela


Receita original na panela de barro, mas se quiser tentar de outra, me conte depois =D.
Aqueça a panela até ficar bem quente, coloque o milho de pipoca e espere estourar 2/3 do milho. Mexa com uma colher de vez em quando para evitar que se queimem as pipocas estouradas. Mas não precisa muito não. Desligue a panela e espere estourar o restante do milho (a panela de barro retém muito calor, e ela continuará estourando como se o fogo estivesse ligado). Despeje numa bacia e regue com sal e azeite temperado ou mel.

Imagem: Wikipédia

Tutu colorido - Gembê

3 porções generosas (ou 2 serras de Piquete, como diz mamãe)

Tutu. Se não é o meu prato favorito, com certeza está nos 5 melhores. E este é uma versão de legumes, e não o de feijão (melhor que isto, só os dois juntos...)
Alguns chamariam este prato de mexido ou gembê. É um preparado delicioso e nutritivo, e nesta versão, de muito rápido preparo. Pode, inclusive, ser feito com sobras.
1 batata ou mandioca pequena
1 /10 de abóbora moranga (não jogue fora a semente, é deliciosa torrada e boa para vermes - cada moranga dá aproximadamente 1 xícara de sementes supernutritivas)
Louro a gosto (uma ou duas folhas dá)
~
1 tomate orgânico
1 cebola roxa, pedaços grandes no sentido do comprimento
Sal a gosto
Algumas folhas de couve crua (ou não) picada fininho
Cheiro verde fresco a gosto
~
2 xícaras de fubá
3 colheres de gergelim

Pique e cozinhe os primeiros ingredientes até estar tudo macio. Enquanto isso, toste o fubá numa panela no fogo baixo, sempre mexendo. Quando dourar, desligue. Junte ao cozido os segundos ingredientes, deixando cozinhar até a cebola estar macia. Enquanto isso, torre o gergelim até dourar. Neste ponto, a água deve estar um ou dois dedos para baixo dos legumes. Junte o fubá, mexendo bem até incorporar e desligue.
Salpique o gergelim por cima e bom apetite!

Uma idéia - faça esta receita acrescentando 1 xícara de feijão já cozido e 1 xícara a mais de fubá. Fica bo também com quaisquer legumes disponíveis. Um toquinho de azeite ou pimenta também é perfeito.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cozido de legumes e sopa de cenoura

4 porções~

No almoço de ontem, além do cuscuz, fiz um cozido. Ele pode ser prato único também, é supercompleto.
O cuscuz cozinhou no vapor dele, mas se não tiver nada no vapor, pode ser bem mais rápido. Vamos à receita:

3 cenouras, cortadas em aproximadamente 6 pedaços
1 batata doce, descascada e cortada em rodelas de 1 cm
5 jilós, cortados em 4
1 cebola, picada em pedaços grandes
1/2 xc coco picado pequeno
1/2 colher de chá de louro em pó ou 1 folha de louro (não acho que seja a mesma quantidade, mas fica bom também)
Sal a gosto
Pimenta (opcional)

Disponha na panela na ordem citada, pois os debaixo cozinham primeiro (cenoura e batata doce são mais duros). Cozinhe até a cenoura amaciar bem (todos os outros estarão macios - menos o coco, que fica assim mesmo). Mantenha sempre a água no nível do fundinho do jiló.

Sobrou? Não repita. Faça uma sopa de cenoura:

Ingredientes do cozido
Quiabo picado (opcional)
Manjericão e/ou páprica a gosto
Cebolinha fresca

Bata, acrescentando água até conseguir a consistência desejada, ou passe por um espremedor de batatas (a cenoura deve estar MUITO macia). Se preferir um purê de cenouras, acrescente menos água.

Se sobrar ainda (tem aqueles entre vocês que fazem duas receitas, mesmo sendo pra uma pessoa ou duas...), faça uma polenta ao molho de rest-d'ant-ont (a receita do molho, vocês adivinham...).
~
Foto de http://tachosdensaio.blogspot.com

domingo, 1 de agosto de 2010

Cuscuz nordestino de fubá com ou sem cuscuzeira

~Dá 3 porções

Infalível para o almoço. Mas tem gente que alimenta dele de manhã, no lugar de pão. Eu era uma dessas pessoas, antes de passas a comer apenas frutas de manhã. Mas é uma boa opção - sustenta e é gostoso.

Aprendi com um amigo do norte de Minas, o mesmo do mingau de fubá. Eu fazia quase todo dia e não enjoava - se cansar, utilize ele pra uma farofa de legumes ou deite mel e leite de coco caseiro ou suco de abacaxi com mel. Não vai se arrepender.

1 1/2 copos de fubá moinho d'água local
1 xícara de água, aproximadamente
1 pitada de sal

Misture bem o fubá e o sal. Acrescente aos poucos a água até virar uma farofa úmida, desfazendo-a com os dedos, sem deixar bolinhas - se for preciso, acrescente mais. Ao apertar, deve ter consistência de paçoca. Disponha na cuscuzeira, se tiver uma, e na base dela ponha água. Se não, disponha num prato. Cubra o prato com um pano de prato limpo, amarrando firmemente suas pontas na base do prato - se quiser, acrescente a segurança do barbante, pois necessite de estar bem justinho (se fizer uma receita grande, cuidado para não apertar demais e esmagar o cuscuz. Vire o prato com o pano amarrado sobre uma panela um pouco menos larga com água, de maneira que encaixe sem danificar o cuscuz e sem molhá-lo (3 dedos de água na panela é o suficiente). Nas duas variedades, cozinhar no vapor por 30 a 40 minutos. Nham!

Imagem de http://garfofaca.wordpress.com/